As memórias de Dona Shirley sobre as mudanças e o desenvolvimento do Município
Atualizado: 8 de set.
Dona de casa, agricultora, professora, líder religiosa... uma mulher com muitas histórias para contar
Por: Aline Martins Perinoto e Rafaella Bertoldo de Oliveira Cavalheiro

"As mulheres devem seguir seus sonhos, buscar uma boa profissão e nunca desistir dos seus objetivos. É possível cuidar da família e, ao mesmo tempo, conquistar a sua própria independência”
Shirley Aparecida Simões de Lima
Quem passa por Lidianópolis nos dias de hoje, talvez não imagina como era a cidade há mais de 50 anos, com casas de madeira, poucas construções, muito trabalho no campo e uma comunidade onde todos se conheciam e faziam parte da vida uns dos outros, laços de amizade criados desde a infância com vizinhos próximos. Essas lembranças permanecem vivas na memória de Shirley Aparecida Simões de Lima, que mora no município de Lidianópolis desde 1972.
Nascida em 27 de outubro de 1949, dona Shirley veio para Lidianópolis com a família depois que enfrentaram dificuldades onde moravam. Segundo ela, a queda do preço do algodão e a estiagem, fizeram com que sua família buscasse uma nova oportunidade de vida, por isso vieram para Lidianópolis.
Ao lembrar de quando chegaram na região, Shirley descreve uma cidade pequena, com muitas famílias vivendo na zona rural. O comércio era uma das principais atividades, mas muitas pessoas viviam da pesca, da criação de gado e das plantações. Ela morou por muitos anos na comunidade que chamavam “Água do Caboco”, e como ela disse, “todos eram vizinhos muito próximos e se conheciam muito bem”.
Um dos lugares que mais marcou sua história foi o Porto Ubá. Naquela época, para que pudessem atravessar o rio Ivaí, tinham que usar a balsa, que era movida a motor a diesel, com carretilha e cabo de aço. Como as condições eram simples, muitas pessoas tinham medo de cair, desciam todo o caminho a pé. O movimento era grande e existiam quiosques próximos à balsa e os comerciantes aproveitavam a passagem das pessoas que vinham de fora para vender seus produtos.
Ao falar sobre a vida das mulheres, dona Shirley conta que a realidade era muito diferente do que vemos hoje em dia. Muitas eram responsáveis apenas pelos cuidados domésticos e dos filhos, tinham pouca liberdade para escolher o que queriam de verdade e sofriam muito preconceito da sociedade quando tentavam fazer isso. Ela conta que muitas vezes, eram os pais que decidiam com quem as filhas iriam se casar, e as mulheres que se separaram enfrentava muita discriminação pelas outras pessoas, além de que, talvez nunca mais conseguiriam se casar novamente por serem separadas.
Apesar de várias dificuldades, dona Shirley conseguiu construir sua própria trajetória de vida. Trabalhou muito, pôde ajudar sua família e realizou seu sonho de virar professora, profissão que exerceu por cerca de 20 anos. Também já foi coordenadora diaconal e agora participa do Apostolado da Oração da Paróquia local.
Ao final da entrevista, dona Shirley deixou uma mensagem para as novas gerações, principalmente para as mulheres. Ela acredita que as mulheres devem seguir seus sonhos, buscar uma boa profissão e nunca desistir dos seus objetivos. Para ela, é possível cuidar da família e, ao mesmo tempo, conquistar a sua própria independência.
As memórias de Shirley mostram como Lidianópolis mudou ao longo do tempo. Sua história é muito importante, pois ajuda a compreender o desenvolvimento da nossa região, as transformações na vida das pessoas e a importância das mulheres na construção da história de nossa região e do Paraná.



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