Saúde, um bem precioso que precisa de cuidados
Atualizado: há 5 dias
Uma viagem no tempo pelas memórias de José Rossini, no início da história do recém-criado município de Lidianópolis.
Por: Deivison Rafael Camargo de Oliveira e Jefferson Antunes Domingos
Entrevista realizada no dia 22/05/2026
Publicado em 02 de outubro de 2026

José Carlos Rossini nasceu no dia 23 de março de 1950, descendente de italianos, mudou -se para Lidianópolis em 1956. Seu relato é importante para compreender como se formou a cidade de Lidianópolis.
Rossini era agricultor. Sua trajetória mudou em 1993, quando foi convidado pelo então prefeito, Wilson Spinassi, para assumir a Secretaria de Saúde em seu primeiro mandato. Desde então, ele permaneceu na área por mais de 20 anos, acompanhando de perto as mudanças e a transformação da cidade.
Ele afirmou que quando começou a trabalhar na área da saúde, onde é o posto atual, era um postinho menor. Na época, a responsável pelo Postinho era a enfermeira Maria Betoldo, conhecida como Maria do Posto. Disse que a área da saúde contava apenas com uma Kombi, que fazia o papel de ambulância. "Naquela época, o município não contava com médicos presentes e o atendimento dependia de profissionais que vinham de fora, como o Dr. José, já falecido, que encaminhavam os casos mais graves para Ivaiporã, Londrina ou Curitiba”, afirmou. Mais tarde, o médico Dr. Luiz, fixou residência em Lidianópolis e passou a atender a comunidade. Isso ajudou a diminuir o transporte de pacientes para fora.

“A saúde é o ponto essencial da identidade e da sobrevivência de qualquer comunidade”
Rossini relembra que a paisagem urbana era completamente diferente. A maioria das casas era de madeira e não havia asfalto. A antiga Igreja era feita de tábuas e o saneamento básico era muito precário.
O transporte era de acesso limitado em dias de chuva, pois a terra vermelha e o barro dificultavam o trânsito. O transporte de moradores e pacientes era feito pelo jipão, um veículo maior que os jipes convencionais, que funcionava como táxi na época.
Embora já houvesse água encanada, a falta de abastecimento era constante. Nesses momentos, a cidade de Jardim Alegre fornecia a água quando precisava. Mais tarde, um poço artesiano foi perfurado o que garantiu o acesso à água tratada. Rede de esgoto não existia e a cidade dependia inteiramente de fossas perfuradas nos quintais.
O ex-secretário recorda as maiores batalhas enfrentadas na saúde pública local. Os primeiros sintomas de câncer na região trouxeram grande preocupação, mas foi a chegada do mosquito Aedes Aegypti que marcou uma era de crise epidêmica, pois os exames eram limitados.
Apesar das limitações, Rossini afirmava que os atendimentos de saúde eram totalmente custeados pelo município, embora houvesse aqueles que preferiam consultas particulares.
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi o relato sobre as campanhas de vacinação entre os anos de 1975 a 1980, quando o município chegou a ter cerca de 14 mil habitantes e agora conta com menos de 4 mil. As vacinas eram aplicadas diretamente nas escolas rurais e urbanas. Foi muito complicado, pois toda a população precisou ser vacinada.
E um recado para o futuro ao analisar a evolução de Lidianópolis, Rossini recorre a uma prioridade de uma boa gestão: "Escola, estrada e saúde". Para ele, a saúde é o ponto essencial da identidade e da sobrevivência de qualquer comunidade.
Deixando uma mensagem para as novas gerações, o pioneiro Rossini reforça a busca dos jovens por instrução e estudo, além da importância de se afastarem dos caminhos do crime e das drogas, desrespeitando o papel dos pais e professores.



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