Voando Alto na Cultura das raízes do Paraná
Atualizado: 8 de set.
De Cornélio Procópio para Lidianópolis, uma mulher com muitas histórias pra contar
Por: Dyovana Beatriz do Carmo e Izabelly Oliveira Alves Barbosa
20/04/2026 - 14h50

"Tinha muitas festas boas. Eu até cozinhava nas festas do Município. Hoje, acabô né? Todas as festas não existem mais, né?"
Maria Laíde Guerra, 83 anos, veio do estado de São Paulo para a cidade paranaense de Cornélio Procópio com cinco anos de idade. Com vinte anos ela se casou e veio para Lidianópolis, onde vive até hoje. Ela é muito conhecida na cidade, pois sempre ajudou em festas e bailes e ainda hoje ajuda a cuidar da Capela Mortuária. Dona Laíde compartilhou com a agente um pouco de sua trajetória, memórias das culturas e tradições de Lidianópolis.
Segundo dona Laíde, quando chegou em Lidianópolis, era tudo muito simples, pois as casas eram de madeira, os banheiros eram fora de casa, a luz era de lamparinas, não havia água encanada e as estradas eram no barro. " Era tudo de tábua, de chão, banheiro lá fora, era bem difícil. No sítio era assim, era de madeira e as ruas da cidade, tudo de chão, tudo barro, barro… tudo barro" (afirmou ela).
Dona Laíde como cozinheira na festa da Igreja

Dona Laíde citou as festividades do Porto Ubá e de São Sebastião, bailes lendários e músicas sertanejas. Falou também das quadrilhas que traziam trajes tão ricos que os participantes mal se reconheciam. Ela lembra de um baile que fizeram. Deu mil e duzentas pessoas que vieram de toda a região.
A Paróquia local também tinha os leilões de bolos e leitoas doados pelos comerciantes. O rio Ivaí, conta ela, fervilhava com balsas, cuja travessia pagava-se “taxas por veículos” e os pescadores trabalhavam livremente, antes da piracema. "Tinha muitas festas boas. Eu até cozinhava nas festas do Município. Hoje, acabô né? Todas as festas não existem mais, né?”, relata dona Laíde.
Para dona Laíde, preservar essas memórias por meio de documentos é um dever sagrado. Ela olha para a juventude atual com profunda admiração elogiando a sua inteligência e descreve Lidianópolis como um “relógio calmo, abençoado e digno de sua maior gratidão.”



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